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FORMAÇÃO CÁRITAS

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Participação

A participação é uma forma de expressão livre e uma qualidade básica do ser humano, algo que qualquer indivíduo pode pôr em prática na sua vida quotidiana.

Baseia-se na convicção de que as pessoas têm o direito de ter uma opinião formada sobre qualquer coisa que afete as suas vidas como, por exemplo, o modo como as instituições, as organizações e os serviços que utilizam são definidos e postos a funcionar.

A participação ativa pode ser encorajada e melhorada, auxiliando as pessoas na gestão de espaços e oportunidades para conseguir entender até que ponto podem ser construtivas e transformadoras as suas decisões e ações. Melhorar as possibilidades de uma participação ativa fortalece as pessoas.

Elementos fundamentais que subsistem na base das reflexões acerca da participação, e no âmago da nossa identidade como Cáritas, podem ser resumidos do seguinte modo:

  • Participação significa compromisso;
  • Todos nós temos possibilidades porque vivemos em conjunto como irmãos e irmãs neste mundo;
  • Todos nós temos poder e autoridade, quando são valorizados conceitos como dignidade humana, confiança e respeito pelo meio ambiente social e natural;
  • Todos nós podemos ser ativamente envolvidos na criação do tempo e do espaço para ouvir as necessidades dos outros e reconhecer os seus talentos e capacidades;
  • Todos nós temos de admitir que todas as pessoas têm o direito à sua opinião e de expressar ouvir os seus pontos de vista;
  • Podemos contribuir para a criação de estruturas que permitam que esses pontos de vista sejam ouvidos;
  • Todos nós temos de agir de acordo com o que está a ser dito;
  • Temos de dar retorno às pessoas acerca do impacto que a sua participação teve.

“Participação” – A Doutrina Social da Igreja Católica, baseada no Evangelho e a experiência prática de acompanhar pessoas mais vulneráveis, é muito clara sobre este aspeto.

Já em 1965, o Decreto Apostolicam Actuositatem salientava a importância da participação e envolvimento de pessoas em situação de vulnerabilidade no sentido de gerirem a sua própria vida (capítulo 8) e a participação e envolvimento de leigos nas paróquias e na sociedade (capítulos 9-10).

Se uma organização da Cáritas estiver bem enraizada a nível local (paróquias, comunidades, grupos de voluntários, Cáritas Jovem, etc.), com um elevado grau de apropriação e de comunhão de toda a comunidade; se a Cáritas assegurar que os mais necessitados não são meros objetos do seu auxílio e assistência, mas sim parte ativa no seu próprio desenvolvimento e das suas comunidades, então a Cáritas será forte e a organização será sustentável. E o inverso é igualmente válido: a Cáritas será fraca se este aspeto não for abordado. A organização Cáritas pode ter muitos colaboradores, muitos projetos e um excelente orçamento, mas se a comunhão e o envolvimento das pessoas no terreno falhar, será uma Cáritas enfraquecida.

Numa perspetiva cristã, a comunhão faz parte da inspiração original. Cada pessoa tem um valor infinito, cada um de nós é convidado a contribuir e todos, sem exceção, somos responsáveis, talentosos, enviados e necessários. Todos nós somos chamados a tornar este mundo mais justo e mais humano e a dar mais espaço ao Reino de Deus.

A participação é um apelo ao envolvimento profundo e consciente na vida de uma sociedade mais ampla, assim como acerca da questão que envolve o apoio aos outros nas suas tomadas de decisão e nas suas atividades, ajudando-os a descobrir os seus talentos, ao mesmo tempo que se lhes atribui a possibilidade de poderem expressar as suas opiniões.

As organizações da Cáritas advogam uma tal participação, acima de tudo como opção inequívoca à solidariedade, corresponsabilidade, a decisão de se ser membro construtivo da família de Deus, e de trabalhar para o bem comum.

Significa isso que somos chamados a fazer sempre o nosso melhor onde quer que nos encontremos e a tornar as nossas comunidades tão amistosas e acolhedoras quanto possível. Essa ação poderá passar pelo envolvimento de todas as camadas sociais na promoção e salvaguarda da justiça social e da paz, pelo voluntariado com os grupos da comunidade local e pelo trabalho nas associações ou organizações eclesiásticas.

A Cáritas recebeu, em diferentes países, a missão de permanecer ao lado dos mais necessitados. Daí que todo o tipo de participação, todo o tipo de ajuda, todas as ideias e compromissos sejam necessários. Todos e cada um de nós coloca os seus talentos ao serviço daqueles que procuram auxílio.

A palavra ‘participação’ nunca foi um conceito abstrato dentro do movimento da Cáritas. Não atuamos somente para as pessoas, mas sim com as pessoas. E quantos mais formos em número, a mais pessoas conseguiremos chegar.

Texto: In “Pequenos passos, grandes diferenças – manual prático sobre participação no terreno”, Cáritas Europa, 2018.

 

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