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CÁRITAS NO MUNDO

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No dia a seguir ao naufrágio do barco que ao largo de Calais (França) provocou a morte de pelo menos 27 pessoas, que tentavam chegar à costa inglesa, Secours Catholique (Cáritas França) expressou a sua grande tristeza e necessidade de reflexão, mas também a sua imensa raiva e indignação, apontando o dedo à responsabilidade das autoridades francesas e inglesas, por tornarem insuportáveis, durante anos, as condições de vida das pessoas refugiadas. Privadas de qualquer saída, os migrantes são literalmente empurrados para os braços dos contrabandistas, sendo estes o resultado de uma política que bloqueia todas as saídas das pessoas.

Os três grevistas da fome em Calais

Para a Secours Catholique são três os fatores que levam ao presente impasse. O primeiro são as intoleráveis ​​condições de vida mantidas pelas autoridades do litoral, através de uma política repressiva e policial de perseguições e expulsões diárias, conducente a um tratamento humano degradante, denunciado diversas vezes, mas sem sucesso.

O segundo é a impossibilidade dos refugiados acederem a um processo de resolução da sua situação na França, devido aos acordos de Dublin. É-lhes oferecido alojamento a 200 km de Calais, mas sem futuro, já que não podem pedir asilo em França.

O terceiro tem a ver com o facto de não poderem efetivamente sair, porque a França concordou em ser a guarda da fronteira britânica e impedir que pessoas entrem legalmente na Grã-Bretanha. Nestas condições, os refugiados não têm de facto outra solução que tentar escapar.

Inverter esta situação implicaria acolher os refugiados em pequenos locais espalhados ao longo da costa, suspender o procedimento de Dublin ou entrar legalmente na Inglaterra, pela via do trabalho.

A Cáritas França espera que a visita do Presidente Emmanuel Macron ao Papa Francisco o possa ajudar a ver a verdade e que esta possa levar a uma efetiva mudança das condições dos refugiados, acompanhada de uma oferta de perspetivas e futuro, pois não se pode esquecer que estas pessoas fugiram de países devastados pela guerra ou por regimes ditatoriais, e que não vieram para a Europa para se divertirem.

Texto e fotografia: Secours Catholique (delegação do Pas-de-Calais), com tradução e adaptação CDL

 

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